Acho que estamos outra vez a exagerar nas críticas e não digo por isto por termos ganho, porque contra o Nacional fartei-me de rasgar.
Concordo com as cacetadas às constantes substituições programadas, não faz sentido tirar um jogador que está bem só porque sim, como aconteceu outra vez com o Gabri e o Oskar.
De resto, lamento, mas somos um clube em reabilitação.
O FC Porto maduro, sólido e de dimensão europeia não existe neste momento, é uma doce memória. Não temos sequer andamento para pensar em qualquer coisinha na Liga Europa sem comprometer o campeonato, prova na qual estamos a competir contra um adversário mais do que estabilizado e com um verdadeiro goleador na frente.
E não é numa época, por muito bom que tenha sido o mercado de transferências, que se resolve isto. É um processo longo. Nós não estivemos sequer na luta pelo título nas duas últimas épocas.
É chato, eu também gostava de ver jogos diferentes, tenho saudades de muitas coisas, mas por mais voltas que sejam dadas, nunca nos podemos esquecer de onde viemos. Não é a referência ou padrão do Porto? Sem dúvida, mas é mesmo de onde viemos e bem enterrados. Estutos e palmarés não contam para nada aqui.
E no meio disto tudo, não vi coisas assim tão dramáticas e preocupantes nos últimos dois jogos, muito pelo contrário. Vi uma equipa muito mais desenvolvida e dinâmica no ataque, com menos engonhanço e posse estéril, mas infelizmente a mesma falta de eficácia. Era outro jogo para estar morto e enterrado ao intervalo.
Mas no ataque temos um puto de 17 anos que ainda erra muito na decisão (claro), um rapaz de 21 que mesmo sem ninguém entre ele a o guarda-redes não é capaz de marcar e cujo substituto ainda não tem aptidão física para ser titular, um extremo que até é experiente, mas passa dezenas de jogos sem marcar ou assistir, e outro extremo de 19 anos que assumiu um penálti decisivo na compensação e que anda há meses com um bloqueio mental.
O motor da equipa fez 20 anos há um par de dias, o de talento mais natural e disruptivo tem 18, mas só aparece às vezes, e o outro médio de maior responsabilidade ofensiva é de constantes altos e baixos.
Estou preocupada com os próximos jogos? Estou. São jogos de um "campeonato" muito específico e em dois deles, pelo menos, não há uma obrigação total de ganhar, porque integram uma eliminatória. Portanto não é para andar em loucuras, mas ser frio e, agora sim, mais pragmático do que nunca.
Temos de ter calma e pensar num de cada vez.