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De Basileia até ao infinito

Tópico em 'Crónicas Somos Porto' iniciado por Lucho a 3 Ago 2011.

  1. Lucho

    Lucho Novato

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    Com o apertar das regras impostas pela UEFA, o debate sobre o nosso futebol juvenil voltou à mó de cima e, mais uma vez, somos confrontados com a falta de jogadores oriundos da formação no nosso plantel. Ponto prévio: o visão 611 terminou sem resultados práticos e apesar da lógica desse projecto, temporada após temporada assistímos à partida de jogadores que facilmente podiam ter sido uma alternativa válida e igualmente, à contratação sem grande critério de jogadores medianos, oriundos do mercado sul-americano e cujas capacidades foram sempre altamente questionadas.

    Históricamente, sempre apostamos na nossa formação e no recrutamento de jogadores jovens e baratos, recordo-me por exemplo da equipa campeã nacional em 1978, contava com jogadores da casa como o Rodolfo Reis, Fernando Gomes, Gabriel, António Oliveira, outros como Octávio Machado, Teixeira e Freitas, apesar da não terem sido formados no clube, já faziam parte do plantel desde meados da década de 70 e, a continuidade desta política, que tão bons resultados deu na década de 80, foi subitamente abandonada com a chegada de dois técnicos estrangeiros, Carlos Alberto Silva e Bobby Robson, que juntamente com a abertura do mercado devido à lei Bosman, marcou a grande viragem na formação do nosso plantel; é certo que os resultados do final da década de 90, a implementação definitiva do clube a nível nacional e claro está, o declínio dos nossos rivais, ajudaram a vincar essa aposta, que, teve o seu primeiro grande estouro no final do ciclo Fernando Santos e Octávio, obrigando a nossa estrutura a mudar radicalmente a formação do plantel para um misto de jogadores jovens, oriundos do campeonato nacional com alguns estrangeiros, de qualidade comprovada e já com traquejo em ligas Europeias, dando origem à sequência mais espectacular do futebol Português, o domínio do FCP na Europa em 2003 e 2004.

    A era Mourinho e os seus sucessos levaram a uma nova mudança no planeamento, desta vez originada pelo novo riquismo do pós-Gelsenkirchen e que se vem arrastando até agora, uma aposta feliz em termos desportivos mas será que o futuro do clube, enquanto potência Europeia não ficou em causa? Será que vamos passar a contratar jogadores por preços cada vez mais elevados e sem grandes hipóteses de retorno? (o fair-play financeiro assim o obrigará); os valores do clube dentro das quatro linhas não serão perdidos em consequência da falta da aposta na formação e jogadores com conhecimento sobre o clube? O que vamos fazer quando a regra 6+5 e do número fixo de jogadores no plantel, formados pelo clube, entrarem em vigor?

    A solução para a revitalização da nossa formação passará certamente pela criação da equipa "B", por uma política clara e concisa sobre como integrar os nossos miúdos no plantel principal e... a própria situação económica, cada vez é mais complicado encontrar financiadores, o mercado ligado ao futebol está cada vez mais dependente de mecenas e quando estes não abrem os cordões à bolsa, condicionam todo o mercado e levam-nos por arrasto, quando é certo e sabido que todas as temporadas somos obrigados a abdicar de dois, três jogadores nucleares e são essas mesmas vendas que seguram o nosso orçamento, ano após ano.

    Uma coisa é certa: vamos apostar na nossa formação, falta saber quando e, se por vontade própria ou porque vamos chegar a um ponto em que não vamos ter outra solução, tal como aconteceu com o Sporting e com as consequências sobejamente conhecidas.
     
  2. badblood

    badblood Portista

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    Crónica pertinente, Lucho, gostei de ler.

    Tenho algumas dúvidas de que a regra 6+5 venha alguma vez a ser implementada, mas concordo que a reformulação das equipas B é uma absoluta necessidade, não apenas para o nosso modelo de negócio como para até para a viabilidade do futebol português.
     
  3. famaboys

    famaboys Eterno #4
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    :handclap: Tiago. Gostei de ler.

    Obviamente que gostava de ver mais miúdos da formação a vingarem na equipa principal mas não me parece que isso vá acontecer nos próximos anos, há muitas eternas promessas mas acabam sempre por ter o mesmo destino que é a saída. A criação das equipas B é uma necessidade pertinente para termos o que gostava que tivéssemos. Quanto à regra do 6+5, na minha óptica acaba por ser um exagero, um 3+8 chegaria perfeitamente, talvez para uma fase inicial e depois subia-se... Talvez até aos tais 6+5... Outra coisa que não gosto que sejamos é uma "equipa formadora". Tipo, contratámos o jogador X por 500m€ e fomos vendê-lo por 20M€. Sei que é bom para o clube reforçar as suas contas mas preferia ter aquele jogador X cá pois dava tudo em campo e era um dos preferidos dos adeptos. Custa-me tanto ver partir um símbolo...
     
  4. Nuno90

    Nuno90 Portista Lenda

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    Uma excelente Crónica. Gostei muito Lucho.

    Concordo em absoluto com a reposição as equipas B, não num cenário de competição em Ligas Intercalares mas sim com entrada na Liga Orangina. O que não faltam são estruturas ao nosso clube para manter um formação com resultados...

    Porém cada vez acredito menos na possibilidade do 6+5 entrar em vigor. Por fim um e no que toca ao Fair Play financeiro é um pau de dois bicos. Se por um lado podemos beneficiar por certas equipas não poderem gastar indiscriminadamente dinheiro por outro uma parte desse dinheiro podia muito bem ter como destino os nossos cofres.
     
  5. Lucho

    Lucho Novato

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    Estou convencido que a regra vai entrar em vigor, no máximo em 2014/2015. Aliás, essa é uma grande bandeira do Platini junto dos países com menor expressão futebolística e que nas últimas temporadas já ganharam lugares na LC, uma parte do bolo financeiro e a tão desejada visibilidade à escala Europeia.

    Com o fair-play financeiro, acredito que vamos assistir à implementação da troca de jogadores e uma maior aposta nos jogadores locais, e.g, contribuindo para a fomentação da formação e neste aspecto, a Federação Espanhola lidera em todos os campos.
     
  6. A regra do fair-play financeiro não nos vai prejudicar em nada. Bem, talvez o faça numa fase inicial, mas depois de alguns anos, quando as coisas já estiverem mais niveladas, teremos a hipótese de dizer a todo mundo "Estamos aqui!".
     
  7. Lucho

    Lucho Novato

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    Nessa fase inicial, o nosso modelo de gestão vai estourar de vez e depois? Como vamos tapar os buracos financeiros sem vender todas as nossas estrelas, onde vamos arranjar dinheiro para contratações? Acredito que se não existir uma inversão da nossa política, vamos passar um mau bocado.
     
  8. Não estou de acordo nisso. Ao longo dos tempos o nosso clube tem se adaptado às mais diversas realidades. Se essa regra avançar - e tenho as minhas dúvidas - acredito que em poucos anos estaremos a lutar regularmente pela LC. Se há coisa que o nosso clube sabe fazer é comprar bom e barato. Com os outros clubes, uns mais que outros, obrigados a fazer o mesmo estaremos todos ao mesmo nível.
     
  9. Lucho

    Lucho Novato

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    Bom e barato? Essa política terminou em 2008. Desde então, temos contratado de forma razoável e pago bom dinheiro pelos nossos jogadores.

    Hulk, Falcao, Moutinho, Álvaro, Otamendi, Rúben, Danilo, Alex, Belluschi, James, queres que continue? Com os clubes limitados em orçamento puro para compras, o factor salarial vai ser a chave da questão e aí, estaremos num patamar de 2ª liga, tal como nos anos 90.
     
  10. Em primeiro lugar, e talvez o mais importante, é que o clube tem de apresentar lucro em ciclos de 3 temporadas. E segundo lugar, as regras não são só para nós. Ou será que os outros clubes não terão dificuldades? O que farão o Chelsea e o City sem os sugar-daddies? E o Liverpool que já agora anda sempre em dificuldades financeiras? E O Man Utd e o Real que têm passivos que nem ao diabo lembra? Eu sei o que vai acontecer, quando esse dia chegar vão começar a pagar menos, tal como nós.
     
  11. Nuno90

    Nuno90 Portista Lenda

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    A nossa capacidade de sobreviver a implantação de uma regra destas assenta-se na nossa capacidade de formar bons jogadores. Estruturas não faltam para que isso seja possível
     
  12. Lucho

    Lucho Novato

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    Tudo se vai resumir à capacidade de oferta salarial. Recordo-me que em tempos muito semelhantes, foi assim que nasceu o grande Milan do Arrigo Sacchi, o dream team do Barça e... a fornada brilhante do Ajax de meados dos anos 90.
     
  13. Lucho, posso "postar" o teu texto no Portistas Anónimos? Com os devidos créditos, claro.
     
  14. Lucho

    Lucho Novato

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    Claro que sim.
     
  15. Óptimo. Tens alguma sugestão para título do post? Um vez que o texto é teu acho justo escolheres.
     
  16. Lucho

    Lucho Novato

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    Podes colocar sff, o título "Somos Porto - os desafios impostos pela UEFA".
     
  17. Amanhã, por volta das 17 horas farei então o post. Por uma questão de audiências não o faço já ;) Um post fresco em horário nobre garante mais visitas!
     
  18. revolta

    revolta Administrador
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    Não me preocupa a nova lei do fairplay financeiro, uma vez que tudo irá ficar basicamente na mesma.

    Nos moldes actuais é possivel facilmente contornar a lei através das SAD's e fundos...

    «Fair-play financeiro» é uma norma destinada a vedar a participação nas competições europeias de futebol aos clubes que gastem mais dinheiro do que aquele que geram.

    Imaginem um clube que detenha apenas os direitos desportivos de um jogador, sendo os jogadores negociados e controlados pelas SAD's... lembrando que a FIFA não proibe isto, apenas proibe que estas "empresas" detenham direitos desportivos de jogadores, mas não económicos. Se ainda assim podem surgir algumas dúvidas, o conceito de clubes satélite será explorado ao máximo, com transferências financeiras de jogadores entre clubes grandes e satélites...

    Quanto aos modelos de equipas B, apenas cabe á liga e á FPF aprovarem um modelo, mas como isso não interessa a muita gente do futebol ("agentes" essencialmente), essa ideia dificilmente sai da gaveta...

    Já agora, sabiam que do Pote 1 da UCL deste ano apenas o Porto apresentou saldo positivo o ano passado (pela lei do fairplay apenas o porto estaria em condições de disputar a prova)... depois a UEFA ia vender o quê? Uma liga dos campeões com equipas ainda mais fracas que a LE... ??

    Isso é um devaneio do sr. Platini
     
  19. Lucho

    Lucho Novato

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    O bom, o mau e o vilão

    Certos jogadores parecem talhados para dividir a massa adepta, isto porque todos sabem que têm potencial, que podem chegar ao topo mas duma forma ou de outra, vacilam quando menos se espera, passando de bestiais a besta e vice-versa duma forma supersónica; estes jogadores não são os chamados patinhos feios (Mariano, Jorginho, etc.) e enquadram-se nas ditas apostas de futuro, talvez o caso mais espectacular de todos seja o Pepe, que passou de fraco, errático, maluco, etc. a central de categoria mundial, isto apesar das suas paragens cerebrais que mancharam a sua carreira até à data. Pegando no título desta entrada, estamos a falar de jogadores que num jogo são bons pelos passes sublimes, pelos cortes em grande estilo, pelos golaços mas facilmente passam a maus por falharem golos, passes infantis, atitudes irreflectidas e em último caso, autênticos vilões, com ofertas em catadupa, egoísmo em momentos críticos, golos falhados de forma incrível, etc.

    Partindo desta introdução, o jogo da supertaça apresentou os dois melhores exemplos do jogador acima descrito a alinhar em Portugal, Maicon e N'Diaye, dois jogadores com aparente enorme margem de progressão, com características físicas praticamente perfeitas para um central de topo, capazes de actuarem largos minutos sem qualquer erro e de repente, sem justificação, entram num chorrilho de asneiras infantis, perdendo por completo a cabeça e castigando a sua equipa em golos e pontos. Nestes casos em particular, temos que louvar a enorme paciência que o Manuel Machado e o staff técnico do FC Porto tiveram, o seu trabalho psicológico, a correção de alguns pequenos detalhes que os podem levar longe no mundo do futebol mas a questão que se coloca é a seguinte: vale a pena investir tanto tempo e trabalho neste tipo de jogadores, tendo em conta que existem mais casos de insucesso do que propriamente bem sucedidos, criando até atritos com a massa adepta?

    Pegando em concreto nos casos acima mencionados, concordo que deverá existir uma margem de confiança alargada, tanto mais que os clubes em questão são reconhecidos pela sua capacidade de aproveitamento de jogadores talentosos mas algo desconhecidos e por norma vão dispondo de outras alternativas para segurar essas posições mas até quando se consegue segurar um jogador assim no plantel? Notem o caso Guarín, contratado no defeso de 2008, demorou cerca de dois anos e meio a impôr-se como jogador nuclear, era considerado um caso praticamente perdido pela grande maioria dos adeptos e no entanto, em todo esse período, o clube dispôs sempre de alternativas válidas para a sua posição, permitindo o crescimento na sombra, de forma mais ou menos sustentada e sem queimar o jogador em demasia, pelo menos desde Janeiro de 2010. E quantas vezes foi criticado, assobiado, etc? Quantas vezes cometeu erros infantis? No entanto... hoje é um jogador largamente admirado pelos adeptos, com estatuto de titular na sua selecção e com meia Europa interessada em contar com ele nos seus quadros.

    Para o bem e para o mal, a paciência e confiança quase ilimitada que o nosso departamento de futebol deposita nos jogadores com aparente talento e potencial, tem revelado ao mundo grandes talentos, quando poucos acreditariam nessa possibilidade; pena é, que não exista a mesma paciência com as fornadas oriundas da nossa formação e ainda pior, que prescindam dos nossos miúdos sem conceder uma única verdadeira chance enquanto essas chances são atribuídas vezes sem contas a jogadores com praticamente a mesma faixa etária e cujo desenvolvimento será uma incógnita. A ver vamos se a nossa habitual astúcia nos levará a olhar para aquilo que já temos na nossa casa e que não é devidamente aproveitado. A ver vamos.
     

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